Traição seria fechar os olhos para o povo: vereadores de Rosário reagem e enfrentam gestão após CPI da Educação

Durante a sessão desta segunda-feira (15), a tribuna da Câmara Municipal de Rosário foi palco de discursos firmes em defesa da atuação do Poder Legislativo diante das críticas que vêm sendo direcionadas aos vereadores após a instalação da CPI da Educação.

Os parlamentares rebateram de forma frontal a narrativa propagada por setores ligados à situação de que os vereadores estariam “traindo” a gestão municipal. Em resposta, diversos vereadores afirmaram que não foram eleitos para servir a governos, mas para fiscalizar os atos da administração pública e representar os interesses da população rosariense.

O discurso predominante foi de que, se há uma escolha a ser feita entre agradar ao Executivo ou cumprir o papel constitucional de fiscalização, a Câmara permanecerá ao lado do povo. Os vereadores destacaram que não pretendem trair suas convicções, nem abrir mão da independência do mandato que lhes foi confiado pelas urnas.

O presidente da Câmara, Rachid Sauaia, fez um dos pronunciamentos mais contundentes da sessão ao recordar os ensinamentos do filósofo francês Montesquieu, considerado um dos idealizadores da teoria da separação dos poderes. Segundo o parlamentar, a independência entre Executivo, Legislativo e Judiciário é um dos pilares da democracia e não pode ser confundida com alinhamento automático ou submissão institucional.

Rachid ressaltou que a Câmara Municipal não é extensão da Prefeitura e que o dever dos vereadores é legislar e fiscalizar, especialmente quando surgem questionamentos envolvendo a aplicação de recursos públicos. Para ele, o exercício da fiscalização não representa perseguição política, mas o cumprimento de uma obrigação constitucional.

A sessão evidenciou o clima de acirramento político que tomou conta do município após a instalação da CPI da Educação. Ao mesmo tempo, deixou claro que a maioria dos parlamentares pretende manter a investigação e sustenta que a busca por esclarecimentos sobre a aplicação dos recursos da educação não deve ser interpretada como ato de oposição, mas como compromisso com a transparência e com a população de Rosário.

Via Neto Cruz

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *