
A gestão do prefeito André da Ralpnet (União Brasil), em Pinheiro, voltou a gerar polêmica ao abrir uma licitação de R$ 819 mil para contratar serviços funerários pelo período de um ano. O edital prevê mais de 1.200 procedimentos ligados a enterros, incluindo 280 urnas para adultos, 60 infantis e até para natimortos. Também estão listados translados de corpos, tanatopraxia, coroas de flores, aluguel de capelas e até transporte interestadual.
Na prática, o contrato supõe uma média de 400 mortes ao longo do ano, número que chama atenção pela precisão mórbida da previsão e pela prioridade orçamentária dada à morte, enquanto a cidade enfrenta deficiências graves em saúde, infraestrutura e assistência social.
Em vez de investir na prevenção e no bem-estar da população, a gestão municipal parece mais preocupada em garantir cerimônias completas para os que morrerem. A pergunta que fica é: quantas vidas poderiam ser salvas se metade desse valor fosse aplicado em políticas públicas básicas?
A licitação virou alvo de críticas e levanta suspeitas sobre as prioridades da administração. Afinal, em Pinheiro, parece que morrer virou mais planejado que viver.

