Candidatos a presidente e vários vices são oficializados; saiba quem são

Ao todo, 12 partidos realizarão suas convenções neste fim de semana

A política brasileira foi movimentada ao longo deste fim de semana pelo encerramento da temporada de convenções partidárias. Vários candidatos presidenciais foram confirmados na disputa por suas legendas, e alguns definiram seus vices. Outras siglas decidiram apoiar nomes de outros partidos – e o PSB decidiu não apoiar formalmente nenhuma candidatura.

O fim de semana também trouxe o desfecho para a “novela” de alguns vices – o pedetista Ciro Gomes anunciou a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) como sua vice; e Jair Bolsonaro (PSL) oficializou o general Antônio Hamilton Mourão, do PRTB, como seu companheiro de chapa. Além disso, o PRTB desistiu de lançar o pré-candidato Levy Fidelix em nome do apoio a Bolsonaro.

O PC do B chegou a anunciar uma chapa liderada por Manuela D’Ávila, com o sindicalista Adilson Araújo, atual presidente da central sindical CTB e também filiado ao partido, como vice. Mas, no fim, a legenda escolheu desistir da candidatura própria e apoiar a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O PT havia confirmado seu líder, preso em Curitiba, como seu candidato presidencial no sábado. E, após reunião no domingo, a Executiva Nacional do partido decidiu que o vice, por ora, será o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, que funcionaria como um “porta-voz” do ex-presidente, mas mais tarde seria substituído por Manuela. Segundo as duas legendas, os dois viajarão o país em nome da candidatura de Lula.

Manuela D´Ávila
Manuela D’Ávila (PC do B) anunciou campanha própria, mas acabou compondo com o PT

Em Brasília, Marina Silva foi aclamada no sábado como a candidata da Rede Sustentabilidade, e Geraldo Alckmin tornou-se o candidato oficial do PSDB à Presidência, também no sábado.

Na parte de baixo das pesquisas de intenção de voto, Álvaro Dias foi ungido candidato presidencial do Podemos (antigo PTN); e o liberal João Amoêdo oficializou-se candidato pelo Novo. No domingo, o partido Patriota (antigo PEN) lançou o deputado federal Cabo Daciolo (RJ) como candidato à presidência.

No domingo, o Partido Pátria Livre oficializou a candidatura de João Goulart Filho à presidência, em um evento em São Paulo. O candidato do PPL é filho do ex-presidente João Goulart, o Jango (1919-1976), cujo mandato foi interrompido pelo golpe militar de abril de 1964.

Alckmin recebeu o apoio formal de mais dois partidos neste sábado: o PR (legenda com 34 deputados federais eleitos em 2014) e o PPS (10 deputados eleitos). O Partido Humanista da Solidariedade (PHS), que elegeu 5 deputados em 2014, oficializou o apoio a Henrique Meirelles (MDB) – e ele próprio participou do evento na sede da sigla, também em Brasília, no sábado.

Abaixo, um resumo dos fatos mais importantes deste fim de semana:

Militantes petistas com máscaras de Lula
Para compensar a ausência física de Lula, o PT criou um evento totalmente voltado à figura do ex-presidente

Lula (PT)

A convenção do PT ocorreu neste sábado na Casa de Portugal, um espaço de eventos no bairro da Liberdade, em São Paulo. Sem seu principal líder presente, o partido recorreu a máscaras de Lula distribuídas aos militantes com o rosto de Lula – além de uma profusão de camisetas, botons e bandeiras com a imagem do ex-presidente.

Mesmo preso em Curitiba desde o dia 7 de abril deste ano – e virtualmente impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa – Lula foi aclamado como candidato pelos cerca de 600 votantes da convenção.

Marcada de início para às 9h30, a cerimônia do PT atrasou cerca de uma hora e meia: antes da convenção, foi realizada uma reunião da Comissão Executiva Nacional do partido, na qual o principal assunto era a discussão sobre quem seria o candidato ou candidata à vice-presidência na chapa de Lula.

Como não houve qualquer decisão no sábado, uma nova rodada de reuniões da cúpula petista foi iniciada às 17h.

No fim da noite, após o acordo com o PC do B ser sacramentado, foi anunciado o registro de uma chapa “puro-sangue”, com Lula e Haddad, mas que este último seria mais adiante substituído por Manuela. O Pros e o PCO também fazem parte da coligação.

Dirigentes do PT em convenção
Da esq. para a dir: Lindbergh, Haddad, Paulo Pimenta e Gleisi Hoffmann, no evento petista

Lula enviou uma carta à convenção, que foi lida pelo ator Sergio Mamberti – o mestre de cerimônias do evento. “Esta é a primeira vez em 38 anos que não participo pessoalmente de um encontro nacional do nosso partido”, começa a missiva.

“Já derrubaram uma presidenta eleita; agora querem vetar o direito do povo escolher livremente o próximo presidente. Querem inventar uma democracia sem povo”, continuou Lula, referindo-se ao impeachment de Dilma em 2016.

Apesar do clima de unidade em torno da figura de Lula, alguns militantes da juventude do partido puxaram palavras de ordem para questionar decisões recentes da cúpula petista – principalmente o acordo desta semana com o PSB, que resultou na retirada da candidatura de Marília Arraes (PT) ao governo de Pernambuco. Alguns empunhavam cartazes com o nome de Marília, hoje vereadora em Recife.

Marina Silva ao ser aclamada candidata da Rede Sustentabilidade
Esta será a terceira vez que Marina Silva disputa a corrida presidencial – mas terá estrutura e tempo de TV menor desta vez

Marina Silva (Rede)

Ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente (2003-2008) no governo Lula, Marina Silva foi aclamada candidata no evento da Rede Sustentabilidade – partido nascido oficialmente em 2015. Esta será a terceira vez que Marina disputa a presidência da República. Desta vez, Marina terá como companheiro de chapa o médico sanitarista Eduardo Jorge, filiado ao PV.

O evento ocorreu num antigo parque aquático e hotel de Brasília, a poucos quilômetros do Palácio da Alvorada.

Marina Silva discursou por cerca de uma hora. Comentando a fragilidade de sua aliança para a disputa presidencial, disse ser especialista em passar por “frestas” – citou o fato de só ter sido alfabetizada aos 16 anos de idade, e de ter sobrevivido a doenças como a hepatite.

“A postura (pessoal) vai derrotar o mecanismo, as estruturas. O povo brasileiro não vai ser submetido aos ‘centrões’ de esquerda, de direita, de centro. Quem está no centro é o povo brasileiro!”, disse.

O candidato do PSDB Geraldo Alckmin na convenção do partido
Geraldo Alckmin (PSDB) aproveitou seu discurso para atacar tanto Bolsonaro (PSL) quanto o PT

Geraldo Alckmin (PSDB)

Geraldo Alckmin, de 65 anos, foi escolhido para ser o candidato do PSDB à presidência da República num evento neste sábado, em Brasília.

Alckmin terá como vice a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS), cujo partido faz parte da mega-aliança de oito legendas que o apoiam. Além do PP, o tucano terá o apoio de DEM, PR, PRB, PSD, PTB, PPS e SD. Antes da convenção do PSDB, Alckmin discursou ontem nos eventos de outros dois partidos de sua coligação: o PR e o PPS.

“Um governo de qualidade requer espírito público, coesão. Requer alianças, para poder fazer o melhor”, discursou Alckmin no evento do PSDB.

“Nós vamos mudar o Brasil, não com bravatas (…), com gritaria e tumulto – aliás foram exatamente as bravatas e os radicalismos que criaram a criaram a coincidência trágica que o governo petista nos deixou: 13 milhões de desempregados”, disse ele, referindo-se ao código eleitoral do PT. Dos 290 votos da convenção, Alckmin teve 288: recebeu também uma abstenção e um voto contrário.

O ex-governador tucano de São Paulo começou a trilhar o caminho até sua candidatura presidencial em novembro passado. Naquele mês, conseguiu que o senador Tasso Jereissati (CE) desistisse de concorrer à presidência do PSDB – em dezembro, Alckmin se tornou o presidente do partido. E em março deste ano, o paulista de Pindamonhangaba não teve concorrente nas prévias do PSDB. Seu rival, o senador Arthur Virgílio (AM), retirou a candidatura antes da disputa.

Esta é a segunda vez que Alckmin concorre à Presidência: em 2006, ele foi derrotado por Lula, que disputava a reeleição, no segundo turno.

O governador de Brasília Rodrigo Rollemberg
Governador de Brasília pelo PSB e candidato à reeleição, Rodrigo Rollemberg (foto) ficou quase sozinho na defesa de Ciro Gomes

PSB decide ficar neutro, prejudicando Ciro

O Partido Socialista Brasileiro fez sua convenção no domingo, no Hotel Nacional, em Brasília. O partido decidiu como esperado pelo PT, e optou por permanecer neutro nas eleições presidenciais deste ano – a decisão prejudicou a candidatura de Ciro Gomes (PDT), que esperava atrair o PSB para sua coligação.

Cerca de 350 pessoas votaram na convenção, e a maioria escolheu a neutralidade – de 13 dirigentes partidários na mesa do evento, só dois, incluindo o governador Rodrigo Rollemberg (DF) se levantou para defender o apoio a Ciro Gomes.

No auditório, militantes dos diretórios de Brasília, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul traziam cartazes defendendo o apoio ao pedetista. No fim, prevaleceu a posição defendida pelos diretórios de Pernambuco e São Paulo.

No PDT, a novidade ficou com o anúncio da escolha de Kátia Abreu como vice de Ciro.

O senador Álvaro Dias
Álvaro Dias (Podemos) conseguiu construir em torno de si uma aliança de partidos pequenos

Álvaro Dias (Podemos)

O Paraná é o berço político do candidato Álvaro Dias, e foi na capital Curitiba que o Podemos realizou sua convenção nacional neste sábado. O evento também oficializou o nome do ex-presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro (PSC), como candidato à vice-presidência.

Castro chegou a ser pré-candidato à presidência pelo PSC, mas retirou seu nome para apoiar Alckmin na última quarta-feira. Álvaro Dias também terá o apoio de PRP e do PTC, partido do ex-presidente Fernando Collor (hoje senador por Alagoas).

Paulista de Quatá, Álvaro Dias fez carreira política no Paraná e está em seu sétimo partido político – já passou duas vezes pelo PSDB (de 1994 a 2001 e de 2003 a 2016), e pelo antigo MDB (1968-1989).

Reeleito senador pela terceira vez consecutiva em 2014, Álvaro Dias voltará à Casa Alta caso seja derrotado na disputa presidencial.

João Amoêdo se lançando candidato
João Amoêdo se lançará com um chapa ‘puro-sangue’: seu candidato a vice também é do Novo

João Amoêdo (Novo)

João Amoêdo foi lançado candidato por seu Partido Novo num evento em São Paulo, na tarde deste sábado. O evento ocorreu na Câmara de Comércio Americana (Amcham), na zona Sul da cidade. Ex-executivo de instituições financeiras, Amoêdo terá por vice o cientista político Christian Lohbauer, também filiado ao Novo.

Por enquanto sem alianças com outros partidos, o Novo se propõe a apresentar candidaturas ideologicamente identificadas com o liberalismo econômico. Em seu primeiro discurso como candidato, Amoêdo diz que o objetivo de sua sigla é “mudar o sistema (político)” do país.

“Quando a gente começou, o que eu queria era ir para o setor público para tentar dar uma ajuda, Mas felizmente eu entendi que o sistema que está lá não foi feito para facilitar a vida do brasileiro. A missão era outra”, disse.

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