Apesar de comuns, escapes de urina não são normais e indicam problemas no organismo

Urologista Elimilson Brandão, do Hapvida, explica que o problema pode afetar crianças, jovens, adultos e idosos

Você é daquelas pessoas que não conseguem segurar a vontade de ir ao banheiro o tempo todo? Tem vontade de urinar com muita frequência? Quando a vontade vem, não dá pra controlar e o xixi escapa a cada tosse, sorriso ou corridinha? Se você se vê em algumas dessas situações, provavelmente, você sofre de incontinência urinária. Mal que afeta cerca de 10 milhões de brasileiros, de todas as idades, e leva a sérios constrangimentos, a incontinência urinária é sinal de que algo está errado com a saúde. Hoje, 14 de março, é Dia Mundial de Conscientização sobre a Incontinência Urinária.

A incontinência nada mais é do que a perda involuntária de urina. O médico uro oncologista do Hapvida Saúde, Elimilson Brandão, explica que o problema pode afetar crianças, jovens, adultos e idosos. As causas mais comuns podem ir desde as doenças neurológicas, que afetam a comunicação do cérebro com a bexiga e outros órgãos, como a doença de Parkinson, Alzheimer, demências, AVC, trauma raquimedular (pessoas paraplégicas ou tetraplégicas), etc, até outros problemas de saúde.

Outra causa comum é a chamada bexiga hiperativa, que afeta principalmente adultos e idosos. “A pessoa tem uma urgência, uma vontade incontrolável, e aí vem o escape. Porém, sem causa determinada”, explica o especialista. Além disso, a infecção urinária pode levar à perda de urina porque a bexiga fica com o funcionamento alterado.

Os escapes de urina afetam mais o público feminino, em especial, mulheres que tiveram partos naturais, ou vaginais, que, com o passar dos anos, têm a perda da urina associada a um grande esforço. “Esse esforço intenso no assoalho pélvico também pode levar mulheres atletas, praticantes de musculação, a perder urina também diante de algum exercício que force a musculatura da região pélvica”, revela o médico.

Algumas cirurgias podem levar a complicações como a incontinência urinária. A cirurgia realizada em homens com câncer de próstata pode levar à incontinência urinária. Elimilson Brandão calcula que “algo em torno de 5 a 15% dos homens que passam pela cirurgia do câncer de próstata, chamada de prostatectomia radical, podem desenvolver a incontinência urinária”.

Fatores de risco

Na mulher, além dos partos, a própria gestação causa um esforço na região pélvica e leva à vontade quase incontrolável de urinar o tempo inteiro. Além disso, mudanças muito bruscas no corpo, como o ganho acentuado de peso, podem levar à incontinência. Outro fator de risco é o tabagismo, que pode provocar tosse crônica e isso também leva à perda de urina.

O envelhecimento pode levar à bexiga hiperativa, principalmente, após os 50 anos. Pessoas com sobrepeso têm mais facilidade para incontinência urinária, pois os tecidos gordurosos afetam o assoalho pélvico.

Tratamento

Tratar a incontinência urinária é hoje muito mais simples do que muita gente possa supor. As terapias podem ser simples, conservadoras, com a administração de remédios por via oral. “A urgência miccional, por exemplo, pode ser tratada com alguns remédios, até mesmo administrados 1 vez ao dia”, exemplifica o médico.

Outro tratamento é a fisioterapia do assoalho pélvico, com exercícios de contração da musculatura da região pélvica, que sustenta a base do organismo e mantém os órgãos regularmente posicionados.

Há, ainda, a possibilidade de tratamento cirúrgico, que se desenvolveu bastante nos últimos anos, com procedimentos simples e rápidos. “As pessoas podem se recuperar em até 1 dia de internação e logo voltar às suas atividades normalmente”, garante Elimilson Brandão.

É considerado normal ir ao banheiro uma vez durante o sono da noite e até 8 vezes durante o dia. Se você estiver com vontade de urinar com frequência durante a noite, fique atento, pois isso é sinal de problema. Só quem pode diagnostica, avaliar e recomendar o melhor tratamento é o médico urologista.

Facebook
Twitter
Instagram

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *