O SILÊNCIO DOS EXCLUÍDOS

O governador Flávio Dino em entrevista ao programa de rádio comandado por blogueiros aliados, na Difusora, emissora de apoio ao Governo

 

Em editorial, o jornal Vias de Fato citou uma entrevista concedida pelo governador Flávio Dino (PCdoB), logo após sua eleição, ao programa Observatório da Imprensa (TV Brasil), quando ele afirmava que a comunicação de seu governo seria executada “de maneira profundamente democrática” como um “modo autêntico de romper com a oligarquia”. Faltando pouco mais de um ano para o encerramento do mandato, o atual governo tem repetido o modelo “chapa branca” da comunicação de seus adversários. TVs e rádios de aliados políticos são contempladas com comerciais governamentais enquanto os povos tradicionais, como a comunidade de Cajueiro, localizada na zona rural da capital, ameaçada pela construção de um porto, um Terminal de Uso Privado não são sequer citados. Nos releases oficiais, somente a declaração do governador, durante o acordo com a gigante chinesa que participa da execução da obra: “o nosso país é uma grande nação e vocacionada a realizar o bem-estar do seu povo”. Nenhuma linha com a opinião dos moradores prestes a serem expulsos de suas terras ou sobre como resolver o impasse. Ainda candidato, presente ao 5º Congresso Estadual de Rádios Comunitárias do Maranhão, o mesmo Flávio Dino afirmava: “uma comunicação democrática fortalece a sociedade, pois as vozes dos excluídos, dos invisíveis, dos esquecidos podem e devem ser ouvidas”.

O historiador e professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Wagner Cabral, mestre em História, considera fundamental “retomar e confirmar os princípios democráticos a partir dos quais os movimentos e lutas sociais foram travados nas últimas décadas em nosso país”. Cabral contextualiza os “tempos de retrocesso político e social, em que a verdade nua e crua do Estado de Exceção se torna a regra geral”. “Um desses princípios, abandonado em meio ao uso narcisístico da mídia e à montagem de esquemas privados de rádio-TV-jornais, foi exatamente o da democratização dos meios de comunicação”, demonstra.

No jogo dos milionários esquemas públicos e privados de comunicação, a manipulação da opinião é valiosa moeda política. O preço pago tem sido alto no Maranhão.

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