Réu diz a Moro que Lava Jato foi “grande alívio” a empresários que pagavam propina.

O empresário Mariano Marcondes Ferraz, réu por corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato, disse em interrogatório realizado nesta segunda-feira (16) pelo juiz Sergio Moro que a investigação sobre o esquema de corrupção na Petrobras foi um “grande alívio” para empresários que tinham negócios com a companhia. Ele admitiu ter pagado quase US$ 870 mil (cerca de R$ 2,7 milhões, no câmbio atual) em propina para Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal.

A afirmação de Ferraz, que era sócio da Decal do Brasil, veio depois de Moro dizer que os pagamentos a Costa, iniciados em maio de 2011, pararam em fevereiro de 2014.

“O pagamento parou porque, enfim, foi o início da Operação Lava Jato. Na realidade, essa operação também é um grande alívio para vários empresários que sofreram essa mesma situação”, disse Ferraz.

A força-tarefa da Lava Jato no MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná) acusa o empresário de ter pagado US$ 868.450 a Paulo Roberto Costa em troca da renovação de contratos da Decal do Brasil com a Petrobras. Os valores foram depositados em uma conta na Suíça pertencente a Humberto Sampaio Mesquita, genro de Costa, já falecido.

Tanto Ferraz como Paulo Roberto Costa, que assinou acordo de delação premiada, confirmam os pagamentos. No interrogatório de hoje, o empresário disse que o ex-diretor da Petrobras pediu a propina como condição para “a coisa caminhar”.

Costa depôs em setembro como testemunha de acusação e falou que sua parte no acordo era “agilizar” a renovação dos contratos, mas afirmou não se lembrar se ele pediu a propina ou se Ferraz a ofereceu.

Ferraz chegou a ser preso preventivamente em outubro de 2016 no aeroporto internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, quando tentava embarcar para o Reino Unido. Ele foi libertado dias depois após pagamento de fiança de R$ 3 milhões. O empresário tem dupla nacionalidade (brasileira e italiana) e vive na Suíça desde 2007.

 

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